Bloco da Saudade e seu belíssmo flabelo

Surgido em 1974, o Bloco da Saudade é um destaque para os blocos do gênero lírico. Serviu como um resgate para muitos blocos e para o estilo carnavalesco, já que na época em que ele nasceu, muitos blocos surgidos na década de 20 estavam em decadência, e muitos outros já estavam extintos.

Tendo como fundador o compositor Edgard Moraes, o bloco praticamente surgiu pela música de seu criador, Valores do Passado, com uma intensa evocação aos blocos que já estavam virando pó. Criar uma agremiação que resgatasse a saudade e os valores dos carnavais de outrora era o sonho de Edgard. Sonho esse que ele não pôde ver se concretizar. O compositor faleceu pouco tempo depois que o bloco surgiu.

Hoje quem está à frente do bloco é Izabel Bezerra. A agremiação, além de ser referência para outras, é a primeira a ser lembrada pelos foliões no carnaval. Esse ano o bloco foi considerado patrimônio cultural e imaterial do estado. “Isso é bom, porque estamos divulgando também o nome do nosso criador, Edgard Moraes. Isso é um incentivo para fazermos melhor, e para que todos façam parte do bloco também”, comenta Izabel.

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Madeira do Rosarinho

17 de novembro de 2009

Durante a nossa apuração e maratona de entrevistas descobrimos que o Bloco Madeira do Rosarinho não é lírico, e sim tradicional.

Segue algumas informações sobre o Bloco, tiradas do Guia do Folião, material cedido pela Casa do Carnaval.

 

Arquivo do Bloco

 

Bloco Carnavalesco Misto Madeira do Rosarinho

O bloco carnavalesco misto Madeira do Rosarinho nasceu em 7 de setembro de 1926, de uma dissidência do bloco Inocentes do Rosarinho. Com mais de 20 títulos, entre eles o hexacampeonato, Madeira tem como cores oficiais o vermelho, o branco e o verde. Seu símbolo é um escudo, assemelhando-se aos clubes de futebol e entre as suas marchas-de-bloco destacam-se “me apaixonei por você”, “paraquedista” e “madeira que cupim não rói”, esta última de autoria de Capiba, em 1963.

Sua sede, com mais de 30 anos e com capacidade para 1,5 mil pessoas, é uma referência para a comunidade do entorno e para a acidade do Recife, funcionando como local de entretenimento, onde são realizados festas e bailes durante todo o ano.

No Carnaval transforma-se em um dos grandes salões do carnaval da cidade, divulgando e perpetuando o frevo pernambucano. No carnaval do Recife, o Bloco participa do Concurso de Agremiações Carnavalescas, sendo Campeão da primeira Categoria 2005 e do Grupo 1 em 2007, desfilando no domingo com 115 componentes.

Nos demais dias de folia, integra a programação dos bairros e pólos descentralizados. Na quarta-feira de cinzas o Bloco realiza o Bacalhau do Madeira, arrastando multidões pelas ruas da comunidade.

O carnaval de Pernambuco é riquíssimo, com manifestações das mais variadas. Do maracatu ao frevo tudo é festa e alegria. Dentro da categoria de blocos mistos, temos, por exemplo, duas segmentações. Os blocos mistos e os blocos independentes.

A diferença básica está no fato de que os blocos mistos são filiados à Federação Carnavalesca Pernambucana. Embora sua orquestra seja também composta de pau e corda, como nos blocos líricos, eles competem entre si. Seus desfiles são abertos com carro alegórico, fogos de artifício, além das fantasias que se diferenciam entre os desfilantes. Também possuem flabelo, que é uma espécie de estandarte que carrega o nome da agremiação. Muitos desses blocos possuem sede que funciona como clubes também, onde fazem eventos para a comunidade local. O maior expoente desse tipo é o Bloco Madeira do Rosarinho, mas ainda temos Batutas de São José, Banhistas do Pina, Flor da Lira de Olinda, entre outros.

Já os blocos independentes são os que podem ser chamados de líricos de fato. Não são filiados a alguma federação, não competem entre si, e desfilam apenas pelo prazer de levar a alegria e poesia para os foliões.Geralmente não possuem uma sede própria, se reúnem muitas vezes na casa de seus dirigentes ou em outros locais. As fantasias são quase sempre as mesmas entre os integrantes do bloco, variando apenas em alguns detalhes ou nos modelos para homens e mulheres. Normalmente os blocos líricos não desfilam com grandes alegorias, a exceção é o bloco O Bonde, que carrega uma réplica de um bonde antigo em seus desfiles. Geralmente os cortejos desses tipos de agremiações são compostos apenas pela orquestra de pau e corda, o coral, a flabelista e os desfilantes. Os desfiles são bastante inspirados nos primeiros blocos dos anos 20. Integram essa categoria o Bloco das Flores, da Saudade e O Bonde.

Desde 1974, com o surgimento do Bloco da Saudade, a quantidade de blocos líricos não filiados vem crescendo e conquistando multidões a cada carnaval. Os blocos mistos filiados, ao contrário, estão perdendo o brilho e a força que tinham em carnavais passados. Espera-se que nos próximos carnavais ambas as categorias brilhem, para a alegria e satisfação do folião pernambucano, e não apenas uma tenha destaque. Como diz o pesquisador Leonardo Dantas e Silva, em seu livro Carnaval do Recife, “com suas orquestras de cordas e madeiras, acrescida pelo concurso dos saxofones, bombardinos e trompetes, a acompanhar um coro de vozes mistas, os blocos carnavalescos são a expressão maior do carnaval do Recife e Olinda, despertando em seus passeios todo o sentimentalismo que jaze escondido nos corações dos foliões.”.

Por Gisele Camelo e Ana Cintia Queiroga

Os blocos líricos são umas das mais belas manifestações do carnaval pernambucano. Nele o saudosismo impera, o passo frenético é deixado de lado e a orquestra é marcada com notas delicadas de instrumentos de pau e corda. A voz é marcadamente feminina no coral suave que embala a folia tradicional e melódica.

O grande carro-chefe dessa era foi, sem dúvida, o Bloco das Flores. Por ser o primeiro bloco a surgir, no ano de 1920, ele abriu a era lírica da folia recifense. Passados os anos os blocos começaram a morrer, sendo ressuscitados pelo Bloco da Saudade, que é um dos mais famosos e conhecidos blocos hoje. Atualmente vivemos um revival dos carnavais antigos, com novos blocos surgindo cada dia mais. Podemos tomar como exemplo desse carnaval de hoje o bloco O Bonde, que alia o tradicionalismo das primeiras agremiações com modernismo das novas tecnologias.

Quem nunca se encantou com tamanha beleza e poesia dos blocos líricos no carnaval de Pernambuco? Aqui iremos mostrar um pouco desse lirismo que deslumbra muitos foliões, e a cada ano tem emocionado o público com belíssimas apresentações. Cada esforço que dirigentes de blocos tem aplicado para manter a tradição, a cultura do lirismo, e ainda conquistar cada dia um público maior e mais fiel.

Não é a toa que vivemos hoje um verdadeiro boom dos blocos líricos. E não é pra menos. O público, tão acostumado a ritmos inquietos e passageiros, anda sedento de uma cultura mais tradicional, aquela que nunca se apaga com o tempo. E o frevo-de-bloco é um exemplo dessa cultura, que vem não só revivendo outras épocas, mas reinventando a forma como se brinca o carnaval de hoje.
Blocos Liricos