Blocos independentes e filiados: Qual a diferença?

17 de novembro de 2009

O carnaval de Pernambuco é riquíssimo, com manifestações das mais variadas. Do maracatu ao frevo tudo é festa e alegria. Dentro da categoria de blocos mistos, temos, por exemplo, duas segmentações. Os blocos mistos e os blocos independentes.

A diferença básica está no fato de que os blocos mistos são filiados à Federação Carnavalesca Pernambucana. Embora sua orquestra seja também composta de pau e corda, como nos blocos líricos, eles competem entre si. Seus desfiles são abertos com carro alegórico, fogos de artifício, além das fantasias que se diferenciam entre os desfilantes. Também possuem flabelo, que é uma espécie de estandarte que carrega o nome da agremiação. Muitos desses blocos possuem sede que funciona como clubes também, onde fazem eventos para a comunidade local. O maior expoente desse tipo é o Bloco Madeira do Rosarinho, mas ainda temos Batutas de São José, Banhistas do Pina, Flor da Lira de Olinda, entre outros.

Já os blocos independentes são os que podem ser chamados de líricos de fato. Não são filiados a alguma federação, não competem entre si, e desfilam apenas pelo prazer de levar a alegria e poesia para os foliões.Geralmente não possuem uma sede própria, se reúnem muitas vezes na casa de seus dirigentes ou em outros locais. As fantasias são quase sempre as mesmas entre os integrantes do bloco, variando apenas em alguns detalhes ou nos modelos para homens e mulheres. Normalmente os blocos líricos não desfilam com grandes alegorias, a exceção é o bloco O Bonde, que carrega uma réplica de um bonde antigo em seus desfiles. Geralmente os cortejos desses tipos de agremiações são compostos apenas pela orquestra de pau e corda, o coral, a flabelista e os desfilantes. Os desfiles são bastante inspirados nos primeiros blocos dos anos 20. Integram essa categoria o Bloco das Flores, da Saudade e O Bonde.

Desde 1974, com o surgimento do Bloco da Saudade, a quantidade de blocos líricos não filiados vem crescendo e conquistando multidões a cada carnaval. Os blocos mistos filiados, ao contrário, estão perdendo o brilho e a força que tinham em carnavais passados. Espera-se que nos próximos carnavais ambas as categorias brilhem, para a alegria e satisfação do folião pernambucano, e não apenas uma tenha destaque. Como diz o pesquisador Leonardo Dantas e Silva, em seu livro Carnaval do Recife, “com suas orquestras de cordas e madeiras, acrescida pelo concurso dos saxofones, bombardinos e trompetes, a acompanhar um coro de vozes mistas, os blocos carnavalescos são a expressão maior do carnaval do Recife e Olinda, despertando em seus passeios todo o sentimentalismo que jaze escondido nos corações dos foliões.”.

Por Gisele Camelo e Ana Cintia Queiroga

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